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O correio eletrónico: a porta de entrada preferida dos atacantes

|  Jordi Genescà Prat

Cibersegurança

O correio eletrónico: a porta de entrada preferida dos atacantes

A segurança do correio eletrónico é um aspeto que muitas organizações ainda subestimam. Ao longo dos anos, muitas empresas investiram na proteção dos seus websites: certificados SSL, firewalls, infraestruturas na cloud e sistemas de backup.

No entanto, há uma porta que muitas vezes continua surpreendentemente exposta: o correio eletrónico corporativo.

O email continua a ser um dos canais de comunicação mais utilizados no ambiente empresarial, mas também é um dos pontos de entrada mais comuns para ciberataques. De facto, uma grande parte dos incidentes de segurança nas empresas começa com algo aparentemente tão simples como uma mensagem recebida na caixa de entrada de um colaborador.

O que torna esta realidade particularmente preocupante é que muitos destes ataques não dependem de vulnerabilidades técnicas complexas. Baseiam-se em algo muito mais simples: a confiança.

Quando um email parece legítimo — porque imita um fornecedor, um banco ou até um colega de trabalho — a reação natural é confiar. E esse pequeno momento de confiança é exatamente o que os atacantes procuram.

O email continua a ser o vetor de ataque mais eficaz

Vários relatórios de cibersegurança apontam para um dado preocupante: a maioria dos incidentes de segurança em empresas começa com um email malicioso.

A razão é simples. O correio eletrónico é uma ferramenta universal em qualquer organização. Todos o utilizam, muitos processos dependem diretamente dele e, muitas vezes, as mensagens exigem respostas rápidas.

Isto torna-o no canal ideal para os atacantes.

Um único email pode levar um utilizador a clicar num link fraudulento, descarregar um ficheiro malicioso ou fornecer, sem se aperceber, as suas credenciais de acesso a sistemas internos. Quando essas credenciais são comprometidas, o acesso ao ambiente empresarial pode ficar praticamente garantido.

Por vezes, o ataque mais eficaz é simplesmente enviar a mensagem certa à pessoa certa.

Phishing: quando o engano parece totalmente real

Os ataques de phishing são uma forma de engenharia social concebida para enganar o utilizador e levá-lo a revelar informação confidencial.

Os objetivos podem variar: palavras-passe, acessos a ferramentas internas, dados financeiros ou informação sensível de clientes.

Normalmente, o ataque segue um padrão bastante semelhante. O atacante envia um email que aparenta ser legítimo. Pode simular uma notificação do Microsoft 365, um alerta de segurança, uma fatura de um fornecedor ou uma comunicação do departamento de IT. O email inclui um link ou um pedido urgente que incentiva o utilizador a agir rapidamente.

Quando o utilizador clica no link, é redirecionado para uma página que imita quase perfeitamente o serviço real. Acreditando que é legítima, introduz as suas credenciais e está, na realidade, a entregá-las diretamente ao atacante.

As campanhas de phishing atuais são cada vez mais sofisticadas. Os emails estão melhor escritos, utilizam logótipos reais e os sites falsos são quase indistinguíveis dos originais. Mesmo utilizadores experientes podem ter dificuldade em identificá-los.

Quando o atacante se faz passar pelo diretor: a fraude do CEO

Um dos ataques mais prejudiciais para as empresas é o chamado fraude do CEO, também conhecido como Business Email Compromise (BEC).

Neste cenário, o atacante faz-se passar por um executivo da empresa e envia um email a alguém do departamento financeiro ou administrativo a solicitar uma transferência urgente ou uma alteração num pagamento.

Estes emails baseiam-se normalmente em três fatores psicológicos: urgência, confidencialidade e autoridade.

Por exemplo, a mensagem pode indicar que o diretor-geral está numa reunião ou em viagem e precisa que seja feita uma transferência de imediato. Também pode pedir que o assunto seja tratado com confidencialidade por estar relacionado com uma operação sensível.

Perante esta pressão, é comum que o colaborador atue rapidamente sem verificar a autenticidade do pedido.

Este tipo de fraude já provocou perdas milionárias em empresas de todo o mundo. E, em muitos casos, os atacantes nem sequer precisam de aceder a sistemas internos. Limitam-se a manipular pessoas.

Como proteger o correio eletrónico corporativo

Proteger o correio eletrónico corporativo já não significa apenas utilizar filtros antispam. As empresas precisam de implementar mecanismos que permitam verificar a autenticidade das mensagens e reduzir o risco de fraude.

Entre as tecnologias mais importantes encontram-se SPF, DKIM e DMARC. Estes mecanismos permitem validar que os emails enviados a partir de um domínio estão devidamente autorizados.

Quando corretamente configurados, ajudam a reduzir o risco de phishing e dificultam que os atacantes utilizem o nome da empresa para enganar colaboradores ou clientes.

Existem também tecnologias adicionais que reforçam a identidade do remetente. Um exemplo é o BIMI, que permite mostrar o logótipo verificado da empresa junto aos emails em determinadas caixas de entrada. Embora possa parecer apenas um elemento visual, ajuda os utilizadores a identificar comunicações legítimas e reforça a confiança.

Se quiser saber mais sobre como estes mecanismos funcionam e como podem ajudar a proteger a sua organização contra ataques, pode consultar a nossa página sobre proteção contra phishing.

A segurança do email é também segurança empresarial

O correio eletrónico continuará a ser uma ferramenta essencial na comunicação empresarial durante muito tempo. No entanto, essa mesma importância torna-o também num dos principais alvos dos cibercriminosos.

Todos os dias são enviados milhões de emails fraudulentos com o objetivo de roubar credenciais, manipular colaboradores ou provocar transferências indevidas. E, embora muitas empresas confiem em filtros de segurança para reduzir este risco, a realidade é que os ataques estão em constante evolução.

Por isso, proteger o email não pode depender apenas de ferramentas básicas ou da atenção dos utilizadores. É necessária uma estratégia que combine tecnologia, configuração adequada dos domínios e formação interna.

Quando uma empresa protege corretamente o seu correio eletrónico, não está apenas a evitar incidentes de segurança. Está também a proteger a sua reputação, a manter a confiança dos seus clientes e a garantir a continuidade do negócio.

Num contexto em que o email continua a ser uma das principais portas de entrada para as empresas, proteger essa porta deixou de ser uma opção. É uma necessidade.

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